Dor

Dor neuropática na coluna: o que é, como identificar e quais os tratamentos

Imagem representa a dor irradiando da cabeça para a coluna

3 minutos

Compartilhar

Sabemos que a dor na coluna é uma das queixas mais comuns em consultórios médicos. No entanto, nem toda dor nas costas tem a mesma origem. Em alguns casos, ela não está relacionada a músculos, articulações ou postura, mas sim a alterações nos nervos.

Esse tipo de dor é chamado de dor neuropática, e acontece quando há algum tipo de lesão, compressão ou disfunção nos nervos responsáveis pela sensibilidade da região.

Essa dor surge quando os nervos da medula espinhal ou das raízes nervosas são danificados ou comprimidos, o que faz com que eles enviem sinais incorretos de dor para o cérebro, mesmo sem um estímulo real.

Entre as causas mais comuns estão:

  • Hérnia de disco lombar ou cervical, que comprime a raiz do nervo;
  • Estenose do canal vertebral, que é o estreitamento do canal por onde passam os nervos;
  • Cirurgias prévias na coluna, com formação de fibroses ou alterações nervosas;
  • Lesões traumáticas ou inflamatórias da medula espinhal;
  • Neuropatias relacionadas a doenças metabólicas, como o diabetes.

O sintoma mais marcante da dor neuropática é o tipo de desconforto descrito pelos pacientes. Geralmente, ela é em queimação, pontadas, choques elétricos ou formigamento. Diferente da dor muscular, costuma persistir mesmo em repouso e não melhora com analgésicos comuns.

Ainda há outros sinais que podem indicar dor neuropática, como dormência ou sensação de “agulhadas” nas pernas ou nos braços, sensibilidade exagerada ao toque, dor causada por estímulos leves, como o toque da roupa, fraqueza ou dificuldade de movimentar um membro ou dor irradiada, que percorre o trajeto do nervo afetado.

O diagnóstico é feito por meio da avaliação clínica detalhada com o neurocirurgião, que investigará o histórico da dor, fará exame físico e poderá solicitar exames complementares para identificar a origem do problema, como: 

  • Ressonância magnética da coluna, para visualizar hérnias, estenoses ou compressões nervosas;
  • Tomografia computadorizada, em casos pós-operatórios ou suspeita de alterações ósseas;
  • Eletroneuromiografia (ENMG), que mede a condução dos impulsos nervosos e ajuda a identificar o local da lesão.

Como é o tratamento?

O tratamento da dor neuropática deve ser individualizado e pode envolver uma combinação de medicamentos, fisioterapia e, em alguns casos, procedimentos.

  • Tratamento com medicamentos: que pode contemplar o uso de anticonvulsivantes para ajudar a estabilizar a atividade elétrica dos nervos; antidepressivos que ajudam no controle da dor crônica; pomadas ou adesivos tópicos para alívio de dores localizadas; e analgésicos específicos para dor neuropática.
  • Fisioterapia e reabilitação: que ajudam a fortalecer a musculatura, corrigir a postura e melhorar a mobilidade. Exercícios e alongamento também auxiliam na recuperação da função nervosa e no controle da dor. Outros cuidados complementares também podem ser indicados, como acupuntura, pilates terapêutico e psicoterapia.
  • Procedimentos: como bloqueios nervosos e infiltrações com anestésicos e corticóides para reduzir a inflamação e o desconforto, radiofrequência para interromper temporariamente a condução dos sinais de dor; e estimulação medular, que usa impulsos elétricos para modular os sinais nervosos da dor na medula espinhal.

Com o diagnóstico correto e um plano de tratamento personalizado, é possível controlar a dor neuropática e recuperar a funcionalidade.O acompanhamento com um neurocirurgião especializado em dor e coluna é essencial para identificar a causa exata e escolher a melhor abordagem.