Tratamentos ambulatoriais

Cannabis medicinal no tratamento da dor lombar crônica: saiba como funciona.

Cannabis e extração da cannabis

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Segundo a World Health Organization, a dor lombar afetou 619 milhões de pessoas em todo o mundo no ano de 2020 e estima-se que, até 2050, o número de casos aumente para 843 milhões. Diante desse cenário, pensar em novas formas de tratar essa condição é essencial para preservar a qualidade de vida dos pacientes. 

É assim que o uso de cannabis medicinal surge como alternativa aos tratamentos convencionais. Um estudo conduzido na Alemanha e publicado na Nature Medicine trouxe uma descoberta promissora: o extrato VER-01, derivado da Cannabis sativa, demonstrou aliviar a dor lombar crônica de forma eficaz e sem sinais de dependência, mesmo após quase um ano de uso. Neste artigo, iremos discorrer mais sobre como essa forma de tratamento age na dor. 

Como o CBD age no controle da dor 

  • Modulação do sistema endocanabinoide: esse sistema regula a dor, a inflamação e a resposta do organismo a estímulos nocivos. Ao modular receptores relacionados à dor, o CBD reduz a sensibilidade e a percepção de desconforto;
  • Efeito anti-inflamatório: dores crônicas costumam estar associadas a processos inflamatórios persistentes na coluna nos discos, articulações facetárias e músculos ao redor. O CBD contribui para reduzir a inflamação e o estresse oxidativo, atuando na raiz da dor;
  • Redução da sensibilização central: em quadros prolongados, o sistema nervoso pode se tornar “hipersensível” à dor. O CBD ajuda a regular essa hiperatividade, diminuindo crises frequentes e intensidade da dor;
  • Melhora do sono e do bem-estar: dor crônica afeta o sono e pode provocar ansiedade, fatores que agravam o quadro. O CBD apresenta efeito calmante e pode favorecer o sono, ajudando a quebrar o ciclo de dor que leva o paciente a ter um sono ruim e, por consequência, perpetuar a sensação de desconforto;
  • Perfil de segurança e tolerabilidade: diferentemente dos opioides e alguns ansiolíticos, o CBD tem baixo risco de dependência, efeitos colaterais leves e ausência de efeito psicoativo, o que o torna uma opção interessante para uso prolongado sob supervisão médica.

Quando a dor lombar vira crônica?

Essas são as causas mais comuns da dor lombar crônica:

  • Degeneração dos discos intervertebrais: com o tempo, os discos perdem elasticidade e altura, provocando microlesões que geram dor constante;
  • Desgaste das articulações facetárias (artrose): o desgaste dessas articulações gera inflamação e dor lombar contínua;
  • Hérnia de disco e compressão nervosa: quando o disco comprime raízes nervosas, há dor irradiada, formigamento e possíveis sintomas de ciatalgia que podem persistir por meses;
  • Síndrome miofascial e tensão muscular: má postura, sedentarismo, estresse e má ergonomia podem causar contraturas crônicas nos músculos da lombar;
  • Estenose do canal vertebral: com o envelhecimento, o canal vertebral pode se estreitar, comprimindo nervos e causando dor contínua e limitação de movimentos;
  • Fatores de estilo de vida: sedentarismo, sobrepeso, má postura, sono inadequado e hábitos ruins podem agravar ou perpetuar a dor lombar.

Cada quadro é diferente, por isso, o diagnóstico e a avaliação especializada são essenciais para definir o melhor plano terapêutico.

Apesar de muito promissor, o CBD nem sempre é o tratamento mais indicado para dor lombar crônica. Para entender isso, é necessário buscar a avaliação de um profissional especialista em dor, coluna e cannabis medicinal. A indicação para o uso dessa substância depende de alguns fatores, como:

  • Tipo e origem da dor (inflamatória, neurológica, muscular, funcional);
  • Duração e gravidade dos sintomas;
  • Outras condições de saúde e medicações em uso;
  • Histórico de tratamentos prévios;
  • Expectativa e objetivos do paciente.

Quando indicado, o uso de Cannabis medicinal é aplicado como parte de um plano terapêutico integrado, que pode incluir fisioterapia, ajustes posturais, fortalecimento muscular, hábitos de vida saudáveis e, quando necessário, terapias minimamente invasivas.